VISTO DAQUI.... NÃO SEI

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terça-feira, 10 de abril de 2018

O tempo contado

Quando contamos o tempo, contamos os dias, as horas e os minutos e se ainda tivermos tempo, talvez os segundos.

Será o tempo a soma de todas estas parcelas ou Pode o tempo ser muito mais que isso?

Será que já é tempo? Será que temos tempo?

Numa madrugada fria, quando sair da tua cama quente, será sempre cedo demais por mais tarde que seja e será sempre mais fria que outra madrugada fria… coisas do tempo!

Nesta dança de ponteiros que se divertem a andar mais rápido quando não olhamos, o tempo passa, o tempo foge e cada minuto que passou não volta e fica perdido para sempre na eternidade onde se já se escondem todos os segundos que passaram.

Um dia pode ser muito mais que um dia quando não te vejo e um dia pode ser uma hora quando estou contigo. O tempo que passa não é igual ao tempo que sinto e nesta confusão de tempos, o nosso tempo é Já.

Quanto tempo até ser tempo do tempo não ser problema?

Uma hora pode bastar, uma vida pode não ser suficiente e o tempo que passa, já passou e fica-nos o tempo que sobra até o nosso tempo acabar.

Hoje, passado algum tempo (muito ou pouco … não sei dizer) desde o dia em que o tempo começou a contar, os relógios enlouqueceram, os pêndulos balançam sem parar e os segundos atropelam minutos que batem nas horas dos dias que passam uns após outros sem nos apercebermos. 

Desde aquela Madrugada em que fui cedo demais passou tanto tempo e passaram tantas madrugadas, com tanto frio, que Já nem sei se o Tempo ainda é Tempo ou se se mudou para outro lugar. 

quinta-feira, 22 de março de 2018

As minhas estantes do IKEA


Um dia, sem saber como (mais ou menos) somos pais … passamos de dispensáveis a indispensáveis… e isso muda completamente a nossa vida.

A transição de filhos para pais não é suave e custa muito.

Não deixamos de ser filhos e irmãos, 
obviamente, mas a nosso estado principal passa a ser “pai” ou “mãe”.

As noites sem dormir, as manhãs de fim-de-semana que acabam, a valorização de 5 minutos de silêncio como se de ouro se tratasse são algumas das coisas transitórias que com o passar do tempo se desvanecem e são substituídas por outras coisas, como as notas da escola, as noites de desassossego enquanto a fechadura da porta não dá sinal, a “escolha” dos amigos, etc..

Estas sucessões de “coisas” são só o cimento que cola o resto, que é a essência do que é ser PAI.
A listagem de “coisas” é extensa e a aprendizagem é contínua porque eles não vêm com Manual de instruções e são ligeiramente mais complicados que um móvel do IKEA. Mantendo a analogia, é como se comprássemos uma estante e ela viesse sem parafusos, sem livro e sem ferramentas. Será sempre uma estante porque a soma das partes assim o obriga mas será tanto mais sólida quando a qualidade dos parafusos que formos colocando e tanto mais perfeita quanto o amor que colocamos na sua construção e o tempo que lhe dedicarmos.

A essência de ser pai, é o descobrir da nossa própria mortalidade e as suas consequências, a essência de ser pai é encontrar forças onde não sabíamos que existiam, a essência de ser pai é passar as nossas prioridades para segundo ou terceiro plano sem mágoas.

Descobrimos isso no dia em que um pequeno ser frágil olha para nós e nos enche de algo que desconhecíamos e com a qual ninguém nos ensinou a lidar.

Quando saia da clínica poucas horas depois do nascimento, e numa época onde os cintos de segurança eram ainda um adereço, “algo” me forçou a colocar o cinto antes de arrancar. Eu já não era só eu, eu éramos nós.

Sem cordão, sem parto e sem 9 meses de gravidez, acabava de dar à luz e acabava de mudar para sempre a minha vida, sem retorno, até hoje, até sempre.


 As minhas estantes ainda não estão acabadas mas tentei escolher os melhores parafusos que consegui e coloquei todo o Amor possível na sua construção e hoje se quisesse, acho que já conseguia colocar-lhe uns livros em cima sem que caissem..

sábado, 10 de março de 2018

Queres ?

Celebrou-se há pouco o dia da Mulher … 

Opiniões divididas, como sempre, sobre este assunto. 

Uns acham que não faz sentido porque não deveria haver dia da Mulher como não há dia do Homem e que este dia é uma “validação” da diferença.
 Outros acham que a história ainda justifica que esse dia existe porque hoje ainda subsistem diferenças na sociedade que justificam esse dia.
A minha opinião é um misto das duas e o que eu gostava era que não houvesse sequer necessidade desse tipo de discussões. A realidade, infelizmente, desmente-me.

Alguém dizia, num artigo de jornal, que se exigíssemos que as mulheres, todas as mulheres, fossem tratadas como gostaríamos que fosse tratada as nossas filhas, haveria uma mudança de comportamentos na sociedade.

Homens e Mulheres não são iguais e não quero que sejam tratados de igual forma; gostava que fossem tratados com o mesmo respeito pelas suas diferenças e com iguais oportunidades num mundo ainda demasiado machista, mesmo nas sociedades ocidentais onde as várias constituições já conferem há anos a “igualdade”.

Quero que minha filha cresça num Mundo onde haja iguais oportunidades e onde reconheçam que diferenças são diferenças e não um atestado de inferioridade ou de superioridade.

Quero que minha filha cresça num Mundo onde o movimento “Me too” seja desnecessário, e em que não se confunda sedução com assédio.

Mas também quero que a minha filha cresça num Mundo onde um homem possa cortejar, flirtar e mostrar a uma Mulher que a quer ou que a deseja sem que isso seja ofensivo só por si.

Quero que a minha filha cresça num Mundo onde uma Mulher possa dizer não, mas onde possa ter oportunidade de dizer sim a alguém que lhe diz “ queres? ”

Quero que a minha filha cresça num Mundo onde haja um dia da Mulher que seja a celebração da Mulher e não uma chamada de atenção para a desigualdade.


Quero que a minha filha cresça num Mundo onde uma Mulher possa dizer SIM, onde possa dizer NÃO e que as suas vontades sejam respeitadas, mesmo de que depois de um NÃO, venha um “ Tens a certeza?”. Quantas vezes dissemos “NÃO” e desejaríamos que a outra pessoa tivesse insistido?


O Mundo não é simples e homens e Mulheres são mais complexos que um simples SIM ou NÃO.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

este não dorme lá



Ela estava deitada na cama e pelas frestas da persiana adivinhava a chegada do dia. A escuridão da noite dava lugar, lentamente, a uma claridade ténue que, pouco a pouco deixava ver as sombras do quarto. 

As roupas espalhadas pelo chão pareciam parte de corpos inertes, actores mortos de uma peça de teatro trágica no último ato.


Só que naquele momento as cortinas não iriam baixar, nem a peça terminaria. Neste teatro, a peça estava a meio. 

Ela sentia-o a seu lado, ouvia-o respirar mas não ousava virar-se, nem sequer mexer.

Fechou mais uma vez os olhos, esperando que quando os abrisse de novo, estivesse noutra peça; numa peça em que estava sozinha e acordava, como todos os dias dos últimos meses, sozinha. 

Queria tomar um café, espreitando pela janela o início de dia, vendo crianças a sair de casa ensonadas, de mochilas às costas, arrastadas pelos braços de pais, atrasados para o trabalho.

Queria tomar um banho e sentir a água quente a percorrer-lhe a pele enquanto o vapor se acumulava como nevoeiro. 

Queria aquela vida que ontem não queria, quando decidiu encontrar-se com um desconhecido.

Na rifa da aplicação do seu telemóvel, saiu-lhe um homem com bom aspecto e de conversa agradável; nesse mesmo dia, tomaram um copo num bar afastado, na mesa do canto. Ele dizia ser solteiro e ela não se importava de acreditar.

Não era romance que ela queria.  

Ele falava mas mais que as suas palavras era a sua voz que importava; era tranquilo, seguro e com dentes bonitos. 

Enquanto ele falava de si, da sua vida, falsa ou verdadeira, pouco importava, ela olhava para os seus olhos, para a sua boca e para as suas mãos.

Imaginava-se numa cama com ele e tudo lhe parecia bem, normal.

Há meses que não sentia o toque de uma pele que não fosse a sua, o toque de um sexo que não fosse o seu. Precisava de se entregar, precisava de se perder e perder, nem que fosse por minutos, a consciência de quem era e de onde estava.

Quando ela saiu para o encontro, estava nervosa mas quando saíram do bar estava tranquila e assim ficou quando o levou para casa dela.

Não falaram muito e quando as roupas começaram a espalhar-se no cão do quarto, ela deixou-se ir nas mãos de este amante de ocasião, sem reservas, sem medos. 

O sexo foi bom. Ele sabia o que fazia e ela gostou que ele soubesse. Como numa dança ele conduziu e ela dançou com ele, seguindo o ritmo e os seus passos. Quando acabou, ele foi à janela fumar um cigarro e ela foi tomar um banho. 

Voltou e deitou-se na cama esperando que ele fosse embora. Ela não conhecia o protocolo, as regras de encontros fortuitos e ficou a observá-lo com os olhos semicerrados fingindo um cansaço que não existia como fingira o ultimo orgasmos para acabar. 

Ele deitou-se ao seu lado e encaixando-se, passou-lhe o braço à volta do corpo, pousado sobre o peito. Passaram muitos minutos sem que alguém falasse até que ela sentiu a respiração mais lenta e cadenciada e percebeu que ele estava a dormir. 

Foi neste momento que ela sentiu um vazio enorme. Queria que aquele momento tivesse terminado quando terminou o sexo e que ele tivesse ido embora.

Agora passadas umas horas, sem que adormecesse, e de costas viradas para ele ela pensou que nunca mais faria isso, que não valia a pena o vazio no final.

Ela queria romance, queria Amor, queria partilhar a cama e não o sexo. Queria ter vontade que a pessoa ao seu lado ficasse para o resto do dia para o resto da sua vida. O vazio que ela sentia não valia o que tinha sentido naquela noite.

Ele acordou pouco depois e ela fingia dormir ainda. Ele vestiu-se em silêncio e foi embora. Ela adormeceu finalmente.

O dia passou tranquilo.Ela conseguiu tomar o seu café à janela e depois um banho demorado. Mais tarde saiu para a realidade do dia e mergulhou nos barulhos da cidade como sempre fazia.

No final do dia, ao entrar no carro depois do trabalho, e sem pensar duas vezes, pegou no tlm; “ Que se f… !!” pensou, Mas este não dorme lá.

Foi o Fim















Foi o fim e nem tinha começado
Foi o começo sem ter acabado
Foi uma história,
Sem as histórias
Que te queria contar.
Um, Dois, Três, Quatro …
A contagem parou cedo demais.
Não era só um conto,
Que te queria contar.
Era mais longo 
Tinha inicio, meio e fim
Era uma história
Com histórias pelo meio
Para contar.
Um
Dois
Três
Quatro
…Um milhão.
Mas o inicio 
Foi o fim e nem tinha começado.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

CICATRIZES

“O Tempo só existe para não acontecer tudo ao mesmo tempo” . Esta frase não é minha e li-a em qualquer lado, mas por vezes relembro-a quando faz sentido, e faz muitas vezes.

Podemos medir muita coisa em função do tempo mas podemos medir sentimentos pelo tempo que duram?

Seria como definir a fisionomia de uma pessoa só pela altura ou só pelo peso e o resultado dessa medição seria incompleto.

Já todos vivemos loucas paixões quase instantâneas e já todos vivemos Amores em banho-maria. Viver um Grande Amor por muito tempo é obra e não está ao alcance e todos e nem todos tiveram a sorte de o viver.

Hoje, mais que ontem, penso que o tempo é só mais um factor de uma equação muito complexa. Como decidimos que uma paixão, uma relação uma noite ou até só um beijo, são importantes?

Talvez quando eles deixam uma marca indelével no mapa da nossa vida, um pouco como aquelas medidas na parede que os nossos pais faziam para ver o nosso crescimento.

Essas marcas são, em nós, cicatrizes que as relações nos deixam e quanto mais profunda a cicatriz, mais importante ela foi. A cicatriz pode ser longa e pouco profunda ou pode ser pequena e ser um sulco como que marcado a fogo! Quando acabam, doem, por vezes muito, por vezes muito pouco e outras, simples arranhões não resistirão ao nascer do dia.  

É com estas cicatrizes que crescemos e aprendemos; é olhando para elas que fazemos, talvez, um balanço do que foi a nossa vida.

Muitas vezes, sozinhos numa escuridão completa, passamos as pontas dos dedos pelas cicatrizes e relembramos momentos únicos, como se estivéssemos a ler a nossa vida em braille.

Algumas vezes estamos com alguém que ainda não deixou a sua marca e discretamente relemos a nossa vida, passando o dedo pelas cicatrizes e sonhando com mais algum.

O tempo não apaga os sulcos mas torna-os menos pronunciados, menos intensos, e sulcos mais recentes tendem a ocupar o seu lugar até eles próprios se tornarem menos profundos.

Não vivemos sem essas cicatrizes, muitas, poucas, longas ou algumas do tamanho de um ponto… são elas que nos definem, são elas que nos dizem quem somos a cada momento.


Eu sei que algumas cicatrizes mais profundas que tive, hoje já não são tão profundas e outras, que hoje ainda me marcam, serão apenas lembranças daqui a algum tempo, mas na escuridão saberei sempre como foram, como me marcaram e marcaram a minha vida, como doeram ou não doeram, enquanto os arranhões, esses,  serão apagados uns após outros não deixando marcas.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

2018 SERÁ UM ANO BOM SE ...

Com o ano a acabar e passada a euforia consumista do Natal, chega a altura dos votos e promessas de Ano Novo. Promessas muitas vezes repetidas, muitas vezes mentidas e que valem tanto a 31 de Dezembro como a 5 de Maio.

Mais de promessas e mais que mentiras, neste final de ano, gostava de agradecer o ano que acaba. Agradeço porque vivi-o!

Vivi-o como vivi os anos anteriores? Não!

Vivi-o como vivi 2017 e como não viverei seguramente 2018. De uma forma única porque também únicos, foram os momentos que passei. Em 2018 acabaram coisas, começaram outras e continuaram muitas outras coisas.

Tento sair de cada ano mais rico que no ano anterior, mais rico de experiência, mais rico de sabedoria, mais rico de pessoas, mais rico de Vida.

Por 2017 passaram muitas pessoas, muitos lugares e muitos sentimentos, que poderão voltar ou não em 2018; Se não voltarem que venham outros que me enriqueçam e me preencham.

Chorei em 2017 e chorarei em 2018.

Ri em 2107 e rirei em 2018.

Amei em 2017 e Amarei em 2018.

Mas o melhor de tudo é que 2018 será diferente de 2017 e crescerei, em 2018, mais um pouco.

No atolado de coisas, sentimentos, pessoas, lugares, Amores e Desamores, que se vão juntando no enorme sótão que é a minha vida, sempre caberão mais coisas que irão enriquecer o espólio que vou partilhando, mas que irá comigo. 

Quando colocar alguma coisa nova lá, irei sem querer, revisitar antigas memórias, coisas esquecidas que vão ganhando pó. Mas que são a fortuna que fui acumulando há muitos anos. Uma fortuna feita de alegrias, tristezas, sofrimento, partilha, Amor e Vida, sobretudo Vida.

Se conseguir em 2018, fazer com que este espólio seja acrescido e partilhado com aqueles que se cruzarem comigo e que fazem parte da minha vida, como sempre o tentei fazer, então, 2018 será um ano BOM.


Feliz 2018.